Foi somente eu, ou depois desta derrota da seleção em especial a dor foi muito intensa? A tristeza que assolou a maioria dos brasileiros, que nem repararam ser infinitamente maior do que a das derrotas em copas passadas.
Na copa da África diferentemente da copa anterior, onde a seleção estava repleta de FIGURÕES nada dispostos a derramar uma gota sequer de suor por quem quer que seja, a seleção formada pelo Dunga, estava repleta de jogadores COMUNS.
Sujeito – Sim, e essa foi a razão da nossa derrota
Eu: – Sim, concordo, porém foi por este mesmo motivo que ficamos tão tristes
Sujeito - Hum?
Eu: Explico!
Na última copa não havia sequer um jogador com o qual pudéssemos nos identificar, todos pareciam estar ali por obrigação, diferente dos eleitos de Dunga. Os jogadores eleitos por Dunga tinham muito a provar nesta copa e por estarem ali esbanjando vontade e querendo mostrar que eram capazes, nos comoveram.
O que Dunga criou nesta seleção foi um time onde todos os brasileiros puderam se identificar, pessoas que pela glória batalharam com todas as suas forças, pois queriam demonstrar que eram capazes. Mesmo percebendo isso, não admitimos, gostamos da seleção e no fundo torcíamos muito para que Dunga estivesse certo em suas escolhas, desejamos com toda nossa força que as críticas estivessem erradas. Nós, talvez depois de muito tempo, voltamos a torcer e sofrer pela seleção brasileira, de uma maneira que havíamos esquecido que era possível.
Por isso a derrota da seleção bateu tão forte em nós, ela bateu diretamente em nossa convicção, de que com vontade e determinação era possível vencer a copa, de que não era necessário um talento muito além do natural para ganhar uma copa do mundo, para atingir nossos objetivos. O Dunga, assim como nós acreditou que era possível, por mais que negássemos isso a todo instante, queiramos muito que ele estivesse certo.
Como todos sabemos, não deu. Doeu!
Eu não diria que doeu. Acredito que a leitura que você fez da situação e da questão da identificação com o nosso povo são bastante pertinentes. Mas todos nós sabemos que vontade apenas não é o suficiente. Para mim o mais difícil é saber tomar decisões “aparentemente difíceis” na hora certa, como tirar o Kaká ou o Felipe Melo na hora que deveria.